A segurança dos motoristas de transporte público em Pernambuco foi debatida em audiência pública das comissões de Desenvolvimento Econômico e de Segurança Pública da Alepe, nesta quarta. No encontro, realizado por iniciativa do deputado Mário Ricardo, do Podemos, foram discutidas medidas de enfrentamento à violência no sistema de transporte coletivo. O parlamentar destacou a importância dos profissionais para a mobilidade urbana e defendeu ações e políticas públicas voltadas à proteção da categoria.
“A segurança dos motoristas de coletivos é um tema que merece atenção do poder público e de toda a sociedade. Esses profissionais desempenham um papel essencial para mobilidade urbana, garantindo diariamente o deslocamento de milhares de pernambucanos, muitas vezes enfrentando situações de violência, ameaças e insegurança durante o exercício de suas atividades.”
Representando a Secretaria de Defesa Social, o Coronel Alexandre Tavares apresentou dados da Força-Tarefa Coletivos, criada em 2017 para combater crimes no transporte público. Segundo ele, o número de assaltos a ônibus caiu de 1.409 registros em 2017 para 358 em 2025. O gestor atribuiu a redução às ações integradas envolvendo as polícias Militar e Civil, setores de inteligência e entidades ligadas ao sistema. Ele também destacou as operações realizadas em terminais integrados.
“Além dos combates aos assaltos, a gente também trabalha combatendo essas infrações dentro do sistema de transporte público justamente para dar a sensação de segurança e mostrar que o transporte público é ordenado. O cidadão comum, de bem, que usa o transporte e o sistema de forma correta, pode fazer uso do sistema sem passar por situações, no mínimo, constrangedoras.”
Os dados apresentados foram questionados pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, Roberto Carlos. Ele reconheceu avanços, mas defendeu uma atuação mais próxima entre o órgão de segurança e os trabalhadores. O dirigente também sugeriu a retomada de abordagens em ônibus e relatou a influência de facções criminosas em algumas áreas. “Hoje, quarta-feira, tem uma equipe minha no Ibura porque os ônibus estão proibidos de chegar até o terminal. Como é que pode? Nesse exato momento, os ônibus estão indo até um determinado lugar e de lá, o usuário tem que andar mais de 1km a pé. Isso é inadmissível, a gente ter uma facção comandando o transporte público e eles ainda dão um toque de recolher. Vejam como é que ficam o motorista e a sociedade: à mercê.”
A representante dos usuários, Renilda Accioly, também questionou os números apresentados e relatou situações de insegurança enfrentadas por passageiros e trabalhadores. “A gente não acredita mais em solução. A gente entra dentro do ônibus pedindo para Deus: ‘Permita que Seu filho Jesus Cristo venha aqui e nos proteja’. E na Ceasa, que não me mele hoje de tomate, de coentro, de cebola, por favor. E não bata, agrida o motorista.”
Como encaminhamento, foi anunciada a criação de um grupo de trabalho para analisar a situação e verificar possíveis medidas de fiscalização e apoio policial aos ônibus.
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